"Se o justo é punido na terra, quanto mais o perverso e o pecador" Provérbios 11 verso 31
O Clube dos puros, incólumes, rectos aos olhos dos outros, segue padrões, estanque ao mundo, crê ser perfeito e no entanto, está longe da graça.
A noção imperativa e standard que circula pelo mundo e pelas sociedades exclusivistas religiosas é que quem adere a uma vertente filosófica espiritual, que apela à retidão e à práctica do bem comum, é estanque aos males do mundo, aos erros e é [deve ser] um exemplo 24horas por dia; está já longe das acções individualistas e antropocêntricas da sociedade actual - cultura ocidental massificada. E que só os que não optam por viver nessa perspectiva filosófica estão condenados ao esquecimento numa realidade nova e transcendente.
Mas as regras impostas na realidade que a todos é comum são para todos. Se não se vive numa realidade material é porque já não existe em forma de matéria. A solução para tal perspectiva seria a criação de um novo espaço físico e político, que teria de ser reconhecido pelo mundo. Não sendo isso possível, cai-se na dicotomia da vivência em liberdade dentro de um ghetto alguns dias por semana ou todos os dias no seu próprio lar, com o quotidiano de uma sociedade que se condena mas que se aceita. Isso é hipocrisia e esquizofrenia filosófica. Como obedecer a uma lei divina e a leis humanas? Como dizer que se é santo e diferente se se erra, tropeça em palavras e gestos por influência do ambiente que maioritariamente nos rodeia?
1)Ser-se um robôt implacável até à incompreensão dos outros - sem amor pelo próximo mas muito-amor próprio!
2) Vivendo seguindo a leis e normas de comportamento mais fáceis de cumprir do que o sacrifício de amar quem não nos ama.
E essas leis foram criadas para um povo temente a um Deus presente. Agora que esse Deus continua presente, o povo já não O teme mas às leis. Porque há de facto uma correspondência no sistema dos outros: palavras com peso de conduta, condenação por erros cometidos, sanções pelas mesmas.
Não há nada sobre amnistia persistente e cuidado individual a cada infractor até que perceba o quão errado é a sua escolha de vida.
A verdade é que é mais fácil seguir normas ao invés de ser-se transformado por quem as criou; o mesmo que nos amnistia diariamente, sem que peçamos.
Devemos não errar porque nos dizem e impõem ou porque não somos internamente movidos a errar?
A minha meditação é sobre a Graça. O favor dado a quem quer amar o mais possível dentro das suas limitações, o próximo porque ama a Deus; a quem cai continuamente no mesmo erro porque ainda não percebeu que pelas suas próprias forças não consegue mudar; a quem ainda chora por dentro por ter errado, ao invés de ter cauterizado a sua consciência em desculpas normativas filosóficas antropológicas ou meras emoções.
Por errarmos sofremos por nós mesmos e mais tarde ou mais cedo por intermédio de que ferimos. A punição é para todos. Ser filho de Deus não nos isenta nem amnistia do mal cometido. E se o cometemos, temos alguém que nos despe interiormente, sondando o arrependimento sincero e ao soltarmos o pedido de perdão, nos liberta da culpa emocional. Como bom Pai, não nos liberta da responsabilidade dos nossos actos; mas consola-nos durante o julgamento e o castigo.
Este verso de sabedoria deve ser - na minha perspectiva - lido ao contrário:
"Se o perverso e o pecador são punidos na terra, quanto mais o justo!" Ao que acrescento: "Porque todos somos responsáveis pelos nossos actos."

Sem comentários:
Enviar um comentário
Todos os comentários serão analisados e qualquer tipo de linguagem ofensiva será eliminada.